Unidade Curricular:Código:
Argumentação, Evidência e Pós-Verdade1151AEPV
Ano:Nível:Curso:Créditos:
1DoutoramentoCiências da Comunicação15 ects
Período Lectivo:Língua de Instrução:Nº Horas:
Segundo SemestrePortuguês/Inglês195
Objectivos de Aprendizagem:
a) Promover o estudo científico acerca da argumentação e da sua importância para o debate público, para a democracia e para o bem comum; dimensões éticas e morais;
b) Promover o estudo científico acerca da relação estreita entre a argumentação e a evidência/conhecimento;
c) Promover o estudo científico acerca do tribalismo na argumentação que decorre da desinformação, das fake news, da pós-verdade.
A aprendizagem permitirá ao aluno a obtenção das seguintes qualificações:
Conhecimento: conhecimento aprofundado da bibliografia da unidade curricular e dos conceitos fundamentais.
Aptidões:
Pensamento crítico sobre os temas analisados e discutidos;
Conceptualização original e independente das questões abordadas;
Compreensão e comunicação destes tópicos aos pares e à comunidade científica.
Competências:
Utilização ágil dos recursos aprendidos na unidade curricular;
Autonomia e capacidade de meta-cognição.
Conteúdos Programáticos:
a) A argumentação, e a democracia, na época clássica;
b) A argumentação na contemporaneidade;
c) Argumentos e conhecimento; argumentos e evidência.
d) A argumentação na era da pós-verdade, das fake news e das redes sociais.
e) Argumentação, bem comum, consenso e valores.
Demonstração da Coerência dos Conteúdos Programáticos com os Objectivos da Unidade Curricular:
Procuramos nesta unidade curricular reflectir acerca da importância decisiva da argumentação no contexto de uma sociedade livre, informada e lucidamente crítica.
A argumentação aparece, na época clássica, justamente neste enquadramento.
Por outro lado, é também indissociável, desde sempre, de uma polimatia prévia que nos permite, grosso modo, saber do que estamos a falar (argumentar).
Ora, nos dias de hoje, em virtude da desinformação e da pós-verdade, a argumentação tribalizou-se, perdendo, assim, aquilo que é o seu desígnio fundamental: o possível acordo à luz da evidência e do conhecimento.
Em suma, maioritariamente, não há hoje, sobre os diversos assuntos, uma prática argumentativa, visto que é difícil e requer conhecimento, mas, ao invés, um vasto conjunto de opiniões que, paradoxalmente, têm tanto de soberano como de infundado.
São estes os tópicos que a unidade curricular se propõe analisar e discutir, convergindo, então, os objectivos da aprendizagem com os conteúdos.
Metodologias de Ensino (Avaliação Incluída):
Dada a natureza de um seminário do 3º Ciclo, a metodologia de ensino pressupõe uma reflexão autónoma, fundamentada em leituras e pesquisa crítica, dos alunos acerca das questões a discutir. Cabe naturalmente ao docente acompanhar este percurso.
A avaliação será feita através de um trabalho final individual que, idealmente, pode ser o primeiro passo para uma publicação de referência partilhada com o docente.
Demonstração da Coerência das Metodologias de Ensino com os Objectivos de Aprendizagem da Unidade Curricular:
O trabalho crítico, fundamentado e autónomo que é solicitado nesta unidade curricular está directamente relacionado com os objectivos da disciplina enunciados: cabe, de facto, aos alunos serem cidadãos e profissionais, o que significa, neste contexto, fazerem valer os seus pontos de vista através de uma argumentação sólida, informada e comunitária. Só assim se faz trabalho académico e uma tese de doutoramento, isto é, só assim se produz conhecimento: argumentando civilizadamente.
Bibliografia:
Barroso, E. P. e Estrada, R. (2018). De Hípias Menor a Trump: das virtudes do erro (e da mentira) ao erro da pós-verdade. Estudos em Comunicação, Volume I, nº 26, 301-309.
Butter, M. and Knight, P. (2021). Routledge Handbook of Conspiracy Theories. Routledge.
Guthrie, W. K. C. (1993). The sophists. Cambridge: Cambride UP.
Mello, P. C. (2021). Máquina do Ódio. Quetzal.
Muirhead, R. and Rosenblum, N. L. (2020). A Lot of People are Saying. The New Conspiracism and the Assault on Democracy. Princeton University Press: Princeton.
Nichols, T. (2017). The Death of Expertise: The Campaign against Established Knowledge and Why it Matters. Oxford University Press: Oxford
Platão. (1981). Fedro. (Trad. P. Gomes). Lisboa: Guimarães Editores.
Platão. (1990). Hípias Menor. Introdução, versão do grego e notas de Maria Teresa Schiappa de
Azevedo. Coimbra: INIC.